terça-feira, 9 de agosto de 2011

Jantar amarelo.


"... Vejo muitos pratos e copos quebrados e espalhados pelo chão.  Eu vejo uma menina com uma obsessão por agradar você. Vejo-a sendo desaprovada e, especialmente, ouço a palavra "sonsa" sendo repetida de várias formas e maneiras. E entendo porque alguém pode odiar tanto música sertaneja e cheiro de cerveja sem o menor constrangimento. Eu vejo um prato de arroz misturado com gema de ovo. Era um jantar amarelo, gostoso e divertido até o momento em que vejo o jantar da menina voando e se chocando contra a parede da cozinha.

Eu vejo você performático fazendo saltos ornamentais no rio. Vejo que você é um dos melhores amigos daquele padre e que você lidera, escreve livros, conta piadas tão bem e tem um monte de amigos. Vejo que você será sempre o super-herói dessa menina. Sinto um cheiro de material escolar novo. Vejo você entrando pela porta principal da casa fazendo chuva de notas de dinheiro de verdade! Vejo você fazendo carinho no cabelo da menina, vejo você lutando karatê, nadando, cuidando da sua coleção de discos do Roberto Carlos e vejo que a sua letra, sua pele e seu cabelo são tão bonitos.

Eu vejo uma menina pequena dormindo agarrada ao seu blazer enquanto você cuida das suas urgências irresponsáveis. Tenho tanta pena dessa menininha bem magoada com você. Vejo uma noiva perturbada pensando se ela deve ou não entrar na igreja contigo. Eu vejo uma menina brava, dizendo pra mãe que ela não precisa de nada que venha de você! Eu ouvi ela dizendo que quer que você morra! Mas é claro que ela precisa de você, seu idiota!!! Como é que você não percebe isso?

Eu vejo uma mulher sóbria e dissimulada. Só eu e Deus vemos o quanto ela é frágil. Honestamente? Ela nunca vai entender e não encontra nenhuma justificativa. Nada justifica... entendeu? Nada, nadinha! Ela morre de cansaço, e desânimo, e fraqueza. Há muito tempo ela não tem esperanças no que concerne a você. E agora ela começa a chorar, porque apesar da frieza e indiferença que ela herdou de você, sim, senhor, mais uma vez ela foi atingida."


terça-feira, 2 de agosto de 2011

É um anseio de parecermos iguais,
De tirar a sensação que estamos ficando pra trás.
É planejar tendo 100% de dúvida.
É o quase improvável acontecendo.
Logo após, tudo suceder copelidamente,
Artificialmente.
É não sentir as mesmas coisas que antes.
Mesmo assim, indo mais além,
Depois empacar de repente,
Novamente.
E não querer concretizar a avidez.

Nós criamos nossas opiniões,
Nossas verdades,
E elas se tornam tão sólidas,
Que nem o desejo mais profundo as contrariam.
Apesar de todo o ressentimento,
Todas as promesas que provavelmente não serão cumpridas,
Ainda sobrevive uma esperança.
O desdém, o afastamento e a distância
Só fizeram com que se aprendesse a viver com a ausência.
Os encontros previstos,
Mas, principalmente, os inesperados,
Trouxeram a tona o que fingia está adormecido.
E a falta de jeito e a atitude indiferente apenas mostram que eles não se conhecem mais,
como chegaram a pensar que se conheciam.